O número de mulheres empregadas nas micro e pequenas empresas (MPEs) teve alta de 164% nos últimos anos, no PaÃs. O aumento mostra a força da mão de obra feminina em um segmento que é responsável por mais da metade dos empregos formais no Brasil, com 52,3% dos quase 25 milhões com carteira assinada.
Em Goiás, as MPEs respondem por 36,4% de toda a mão de obra do Estado. Apesar do bom desempenho, no Centro-Oeste, as mulheres representam 32% de todo o efetivo de trabalhadores, com 550.378 cargos contra os mais de 1,1 milhão ocupados por homens. O dado faz parte do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa, lançado ontem pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A relação entre mão de obra masculina e feminina foi apoiada em levantamento feito nos anos de 2008 e 2009.
Segundo o Anuário, o número de mulheres empregadas nas MPEs saltou de 2,8 milhões em 2000 para 4,6 milhões em 2008. Apesar da elevação, os homens ainda representam a maior parte da força de trabalho nas micro e pequenas empresas, com 8,2 milhões de empregados ou 65% do contingente nacional. No mesmo perÃodo houve também alta no número de empresas enquadradas no Simples (sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte). Elas passaram de 4,1 milhões de unidades em 2000 para 5,7 milhões em 2008 ? alta de 40%.
A empresária Eliene Divina Marçal, 39, precisou vencer diversos obstáculos para chegar onde está. De famÃlia humilde, ela se casou muito cedo, quando ainda tinha 16 anos. Ao longo de sua trajetória, encontrou como impedimentos à carreira profissional a falta de instrução e um marido ciumento, que a impedia até de estudar. Após mais de três anos atuando como vendedora em Iporá (GO), ela decidiu abandonar o emprego em uma butique e montar o próprio negócio.
Eliene conta ter passado por uma série de preconceitos, mas venceu todos eles. Ela se lembra que, no momento da criação da empresa, teve dificuldades até para abrir uma conta corrente no banco. ?Além de ser uma mulher emancipada, ainda tinha o fato de minha famÃlia ser muito humilde?, conta.
Hoje, com nova fábrica em Goiânia, a empresária espera agora exportar suas camisetas também para o exterior. De acordo com ela, o preconceito quanto ao sexo ficou no passado e não mais existe profissão destinada somente a homens ou só a mulheres. ?Desde que se conduza a profissão com seriedade e profissionalismo, não a nada que possa impedir o sucesso?, disse.
OUTROS DADOS
Segundo o Anuário divulgado pelo Sebrae, as cidades com melhores resultados na contratação de mulheres foram as capitais Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Seguindo na contramão, vieram as regiões metropolitanas de São Paulo e Recife com o menor número de contratações de mulheres. O setor que mais cedeu espaço à mão de obra feminina em 2008 foi o comércio. No Centro-Oeste foram mais de 224 mil novos postos para elas. No Brasil, o número foi de quase 3 milhões.
Em números absolutos, o Centro-Oeste (550 mil) só foi melhor que a Região Norte (302 mil) na oferta de empregos às mulheres. Sudeste foi a mais bem colocada com mais de 4 milhões de mulheres empregadas, em 2008. Na comparação entre os sexos, a Região Sul foi a melhor colocada com 37% dos trabalhadores do sexo feminino. Na sequência, vieram a Região Sudeste (33,5%) e o Centro-Oeste, com 32,5% da força de trabalho composta por mulheres.
Fonte:O hoje -Goiana
Data:01/09/2010 Hora: 09:44:31
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